ROSA NEGRA Da senzala - a grande casa! – exala o cheiro de almas que agora deambulam pela casa vazia que grita os berros que ficaram presos nas gargantas ornadas com colares do ferros. Da senzala - a grande casa! – vem-me os gritos das dores contidas das costas entrecortadas pelo gargalhasso da chibata que estala no dorso encantado da negra mucama acorrentada ao dedo-de-deus que aponta para o céu Da senzala - a grande casa! – poder cretino do senhor dengoso ouve-se, então, o choro do menino filho do estupro matutino… ou vespertino daquela escrava que outrora apanhava ao pelourinho para gozo do senhorinho que jamais irá saber do filho negrinho condenado a viver – toda vida! – sem carinho Da senzala - a grande casa! – ouço os acordes duma canção em lamento: - Não deixem que apaguem das memórias as histórias de horror e de sofrimento, as dores, os choros, os tormentos. Não esqueçam os estupros. Não! Não permitam que as flores apesar da beleza e do aroma escondam o pólen da dignidade, da justiça e da virtude. Não! Não permitam que as rosas apesar do encanto e da diversidade das cores, mascarem a beleza da rosa negra.
A FÉ E A PRECE HÁ DUAS FORÇAS PODEROSAS COM AS QUAIS FACILMENTE MOVIMENTAMOS AS RESERVAS FLUÍDICAS QUE O SENHOR PÔS À NOSSA DISPOSIÇÃO. ESTAS DUAS FORÇAS, TANTO MAIS POTENTES QUANTO MAIS MANEJADAS, SÃO A FÉ E A PRECE. A FÉ DEVE SER FÉ RACIONAL, ISTO É, DEVEMOS SABER POR QUE É QUE TEMOS FÉ. A FÉ RACIONAL SE ADQUIRE PELO ESTUDO DAS LEIS DIVINAS, CONSUBSTANCIADAS NO EVANGELHO E NOS ENSINAMENTOS DO ESPIRITISMO. TER FÉ É TER CONFIANÇA EM DEUS; É SABER QUE VELANDO POR NÓS, AMPARANDO-NOS A PROTEGENDO-NOS ESTÁ A PROVIDÊNCIA DIVINA. TER FÉ É ENTREGAR O NOSSO DESTINO AO PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS, CERTOS DE QUE TUDO QUE ELE NOS DER, DORES E ALEGRIAS, POBREZA E RIQUEZA, SAÚDE E DOENÇA, TUDO É PARA NOSSO BEM; PORQUE TUDO SERVIRÁ PARA O APERFEIÇOAMENTO DE NOSSA ALMA. TER FÉ EM DEUS É SER RESIGNADO NA ADVERSIDADE E HUMILDE NA PROSPERIDADE. TER FÉ É TER A CERTEZA ABSOLUTA DE QUE NADA DE MAL SUCEDERÁ, SE DEUS NÃO O PERMITIR; E SE ELE PERMITIR QUE NOS SOBREVENHA ALGUM MAL É PORQUE O MERECEMOS; SE NÃO O MERECÊSSEMOS O MAL NÃO NOS ATINGIRIA. A FÉ É UMA FORÇA DE ATRAÇÃO: ATRAI SOBRE NÓS O SOCORRO DIVINO E AJUDA-NOS A SOCORRER AQUELES QUE SOLICITAREM O NOSSO AUXÍLIO. A PRECE É UM ATO DE FÉ. PELA PRECE ADORAMOS A DEUS, AGRADECEMOS-LHE OS FAVORES QUE NOS FAZ CONTINUAMENTE E PEDIMOS-LHE O DE QUE NECESSITAMOS. A PRECE NOS LIGA A DEUS. QUANDO ORAMOS, NOSSO PENSAMENTO, COMO UM RAIO LUMINOSO, PROJETA-SE PELO INFINITO E VAI TOCAR AS REGIÕES DE LUZ DE ONDE NOS CHEGAM AS BÊNÇÃOS DO SENHOR. A PRECE DESENVOLVE, AUMENTA E FORTIFICA A NOSSA FÉ. A FÉ DEPENDE DA PRECE E A PRECE DEPENDE DA FÉ; É IMPOSSÍVEL SEPARAR UMA DA OUTRA. A VERDADEIRA PRECE SE CARACTERIZA PELOS SEGUINTES PONTOS: DEVE SER FEITA COM CARINHO E AMOR; DEVE SER UM IMPULSO ESPONTÂNEO DE NOSSO CORAÇÃO. ORAR APENAS COM OS LÁBIOS NADA SIGNIFICA; DEVEMOS SENTIR A NOSSA PRECE; É PRECISO QUE VIVAMOS DE ACORDO COM ELA; ORAR DE UM MODO E VIVER DE OUTRO É PRÓPRIO DOS HIPÓCRITAS. SE PEDIMOS AO SENHOR QUE PERDOE OS NOSSOS ERROS, DEVEMOS NÓS TAMBÉM PERDOAR OS ERROS DOS OUTROS. SE PEDIMOS AO SENHOR QUE NOS LIVRE DO MAL, É NOSSO DEVER NÃO PRATICAR O MAL. SE ORAMOS AO SENHOR QUE NÃO NOS DEIXE CAIR EM TENTAÇÃO, PRECISAMOS RESISTIR A TODAS AS TENTAÇÕES, QUANDO ELAS SE APRESENTAREM EM NOSSA VIDA. SE ROGAMOS AO SENHOR QUE NOS DÊ O PÃO NOSSO DE CADA DIA, PROVIDENCIEMOS PARA QUE NÃO FALTE O PÃO A NOSSOS IRMÃOS MENOS FAVORECIDOS, UMA VEZ QUE ISSO ESTEJA AO NOSSO ALCANCE; PORQUE A LEI É ESTA: - AQUILO QUE QUISERDES PARA VÓS, ISSO MESMO FAZEI-O AOS OUTROS. FAÇAMOS NOSSO PRECE DIÁRIA; DEPOIS VIVAMOS O RESTO DO DIA DE MODO TAL QUE NOSSOS ATOS, PALAVRAS E PENSAMENTOS SEJAM UMA GLORIFICAÇÃO AO SENHOR. PARA QUE A PRECE NÃO SE TORNE MONÓTONA E QUASE QUE AUTOMÁTICA PELO HÁBITO, PROCUREMOS UM MOTIVO PARA ORAR; É PRECISO QUE A PRECE TENHA UM OBJETIVO. É FACÍLIMO ENCONTRAR MOTIVOS PARA NOSSAS ORAÇÕES DIÁRIAS; BASTA REPARARMOS AO NOSSO DERREDOR E EM NÓS MESMOS; POR EXEMPLO: SABEMOS QUE HÁ DISCÓRDIA EM UMA FAMÍLIA? OREMOS PARA QUE A CONCÓRDIA VOLTE A REINAR EM SEU SEIO; HÁ DOENÇAS EM UM LAR? OREMOS PARA QUE LHE VOLTE A SAÚDE; HÁ ALGUÉM EM DIFICULDADE? OREMOS PARA QUE AS POSSA VENCER; UM IRMÃO DESENCARNOU? OREMOS PARA QUE O SENHOR LHE CONCEDA A COMPREENSÃO DE SEU NOVO ESTADO; DESCOBRIMOS EM NÓS UM DEFEITO? PEÇAMOS AO SENHOR QUE NOS AJUDE A CORRIGI-LO; TEMOS VÍCIOS? ROGUEMOS AO SENHOR QUE NOS CONCEDA AS FORÇAS E A BOA VONTADE PARA FICARMOS LIVRES DELES. ASSIM, TODOS OS DIAS PODEMOS ARRANJAR NOBRES MOTIVOS PARA DIRIGIRMOS AO SENHOR NOSSAS PRECES. E QUANDO TIVERMOS DESENVOLVIDO DENTRO DE NÓS A FÉ VIVA E RACIONAL E APRENDIDO A ORAR COM O CORAÇÃO, SEREMOS FELIZES E NOS TRANSPORTAREMOS AOS PLANOS SUPERIORES DA ESPIRITUALIDADE.
VOVÓ MARIA CONGA Sentada em um toco de madeira no terreiro contou, certa vez, alguns fatos de sua vida em terra brasileira. Começou dizendo que só o fato de podermos conviver com nossos filhos é uma grande dádiva. Naquele tempo as negras eram destinadas, entre outras coisas, a procriar, a gerar filhos que delas eram afastados muito cedo, até mesmo antes de serem desmamados. Outras negras alimentavam sua cria, assim como tantos outros “filhotes” foram alimentados pela Mãe Conga. Quase todas as mulheres escravas se transformavam em mães; cuidavam das crianças que chegavam à fazenda, rezando para que seus próprios filhos também encontrassem alento aonde quer que estivessem. Os orixás africanos, desempenhavam papel fundamental nesta época. Diferentes nações africanas que antes guerreavam, foram obrigadas a se unir na defesa da raça e todos os orixás passaram a trabalhar para todo o povo negro. As mães tomavam conhecimento do destino de seus filhos através das mensagens dos orixás. Eram eles que pediam oferendas em momentos difíceis e era a eles que todos recorriam para afastar a dor. Maria Conga teve que se utilizar de algumas “mirongas” para deixar de ser uma reprodutora, e assim, pelo fato de ainda ser uma mulher forte, restou-lhe a plantação de cana. A colheita era sempre motivo para muito trabalho e uma espécie de algazarra contagiava o lugar. Enquanto as mulheres cortavam a cana, as crianças, em total rebuliço, arrumavam os fardos para que os homens os carregassem até o local indicado pelo feitor. Foi numa dessas ocasiões que Maria Conga soube que um dos seus filhos, afastado dela quando já sabia andar e falar, era homem forte, trabalhando numa fazenda próxima. Seu coração transbordou de alegria e nada poderia dissuadi-la da idéia de revê-lo. Passou então a escapar da fazenda, correndo de sol a sol, para admirar a beleza daquele forte negro. Nas primeiras vezes não teve meios de falar com ele, mas os orixás ouviram suas súplicas e não tardou para que os dois pudessem se abraçar e derramar as lágrimas por tanto tempo contidas. Parecia a ela que eles nunca tinham se afastado, pois o amor os mantivera unidos por todo o tempo. Certa tarde, quase chegando na senzala, a negra foi descoberta. Apanhou bastante, mas não deixou de escapar novamente para reencontrar seu filho. Mais uma vez os brancos a pegaram na fuga, e como ela ainda insistisse uma terceira vez resolveram encerrar a questão: queimaram sua perna direita, um pouco acima da canela, para que ela não mais pudesse correr. Impossibilitada de ver o filho, com menor capacidade de trabalho, a Vó Maria Conga passou a cuidar das crianças negras e de seus doentes. Seu coração se encheu de tristeza ao saber que haviam matado seu filho quando tentava fugir para vê-la. Sua vida mudou. De alegre e tagarela passou a ser muito séria, cuidando do que falavaaté mesmo com os outros negros. Para as crianças contava histórias de reis negros em terras negras, onde não havia outro senhor. Sábia, experiente e calada, Vovó Maria Conga desencarnou. Com lágrimas na alma ela acabou seu conto. Disse que só entendeu a medida do amor após a sua morte. Seu filho a esperava sorrindo, guardião que fora da mãe o tempo todo em que aguardava seu retorno ao mundo dos espíritos.
SOU O TAMBOR QUE ECOA NOS TERREIROS, TRAZENDO O SOM DAS SELVAS E DAS SENZALAS.
SOU O CÂNTICO QUE CHAMA AO CONVÍVIO SERES DE OUTROS PLANOS.
SOU A SENZALA DO PRETO VELHO, A OCARA DO BUGRE, A CERIMÔNIA DO PAJÉ; A ENCRUZILHADA DO EXU, O JARDIM DA IBEIJADA, O NIRVANA DO HINDU E O CÉU DOS ORIXÁS.
SOU O CAFÉ AMARGO E O CACHIMBO DO PRETO VELHO, O CHARUTO DO CABOCLO E DO EXU; O CIGARRO DA POMBA-GIRA E O DOCE DO IBEJI.
SOU GARGALHADA DA PADILHA, O REQUEBRO DA CIGANA, A SERIEDADE DO TRANCA-RUA.
SOU O SORRISO E A MEIGUICE DE MARIA CONGA E DE CAMBINDA; A TRANQUINADA DE MARIAZINHA DA PRAIA E A SABEDORIA DE URUBATÃO.
SOU O FLUÍDO QUE SE DESPRENDE DAS MÃOS DO MÉDIUM LEVANDO A SAÚDE E A PAZ.
SOU O ISOLAMENTO DOS ORIENTAIS ONDE O MANTRA SE MISTURA AO PERFUME SUAVE DO INCENSO. SOU O TEMPLO DOS SINCEROS E O TEATRO DOS ATORES.
SOU LIVRE. NÃO TENHO PAPAS. SOU DETERMINADA E FORTE.
MINHAS FORÇAS? ELAS ESTÃO NO HOMEM QUE SOFRE E QUE CLAMA POR PIEDADE, POR AMOR, POR CARIDADE.
MINHAS FORÇAS ESTÃO NAS ENTIDADES ESPIRITUAIS QUE ME UTILIZAM PARA SEU CRESCIMENTO.
ESTÃO NOS ELEMENTOS. NA ÁGUA, NA TERRA, NO FOGO E NO AR; NA PEMBA, NA TUIA, NA MANDALA, DO PONTO RISCADO.
ESTÃO FINALMENTE NA TUA CRENÇA, NA TUA FÉ, QUE É O ELEMENTO MAIS IMPORTANTE NA MINHA ALQUIMIA.
MINHAS FORÇAS ESTÃO EM TI, NO TEU INTERIOR, LÁ NO FUNDO NA ÚLTIMA PARTÍCULA DA TUA MENTE, ONDE TE LIGAS AO CRIADOR.
QUEM SOU? SOU A HUMILDADE, MAS CRESÇO QUANDO COMBATIDA.
SOU A PRECE, A MAGIA, O ENSINAMENTO MILENAR, SOU CULTURA.
SOU O MISTÉRIO, O SEGREDO, SOU O AMOR E A ESPERANÇA. SOU A CURA. SOU DE TI. SOU DE DEUS. SOU UMBANDA.
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